Zaha Hadid_Arquite(c)tura no feminino

“…it still remains but it’s much better now…a stigma about the women thing…” Hadid, em entrevista para a BBC.

Zaha Hadid, que morreu em março de 2016, foi e permanece, uma celebridade cujo nome, rosto e edifícios, são conhecidos por milhões. Segundo Despina Stratigakos (Associate Professor and Interim Chair of Architecture, University at Buffalo, The State University of New York), a dor sentida na perda deste ícone feminino, em mulheres arquite(c)tas, situa-se numa escala tanto distinta como íntima.

Stratigakos refere que, com a morte de Hadid, perdemos um modelo num campo que tem poucos outros. Não porque não existam muitas mulheres talentosas/arquite(c)tas e inspiradoras, mas porque nenhuma alcançou a proeminência de Hadid. Contra todas as probabilidades e uma grande dose de preconceito, os seus edifícios redefiniram a idéia sobre o que era ou não possível em arquite(c)tura – da energia explosiva da Estação de Bombeiros Vitra em Weil am Rhein, na Alemanha, até aos ângulos ondulantes da Ópera de Guangzhou, na China.

Zaha Hadid in Port Magazine

Zaha Hadid for Port Magazine

De nacionalidade iraniana-britânica, a arquite(c)ta teve um percurso académico bastante interessante, na medida em que, antes de ingressar na Architectural Association of London, se formou na área da Matemática pela Universidade Americana de Beirute. E não deixa de ser bastante curiosa esta associação da Matemática com a arquite(c)tura que projeta, pois parece traduzir muito do seu pensamento desconstrutivista.

Aluna de Rem Koolhaas e conhecida como a “rainha das curvas”, Zaha com o seu traçado orgânico e fluído, redefine a arquite(c)tura na interseção com a cidade. Embora muitos dos seus projetos sejam conceptuais, como refere Joseph Giovanni, crítico e arquite(c)to, Hadid “inventou uma nova  física gravitacional”. 

Giovanni, destaca um dos trabalhos seminais de Zaha – The Peak Leisure Club – idealizado para um clube em Hong Kong e que nunca saiu do papel, mas representa “uma tese fundamental para a arquitetura, um inesperado precedente para o paradigma da Modernidade: da simplicidade para a complexidade”. The Peak é “tão original para a arquitetura quanto a escala cromática foi para a música um dia”.

Aplaudida pela crítica e pelo público, é incontornável na arquitetura contemporânea. Em 2014, Hadid, tornou-se na primeira mulher a ganhar o Prémio Pritzker de Arquite(c)tura e dois anos depois, tornou-se novamente, na primeira mulher a receber a Medalha de Ouro Real do Royal Institute of British Architects, em reconhecimento pelo mérito do seu trabalho. 

O filme “Zaha: An Architectural Legacy”, revê a sua carreira e legado, através de cinco etapas distintas que marcam o seu trabalho. O filme aborda o seu primeiro projeto construído em Vitra, passando para o MAXXI vencedor do Prémio Stirling, que garantiu o seu lugar no cânone arquite(c)tónico e o London Aquatics Centre – o edifício que a tornou mais conhecida do público. Termina com a Galeria de Matemática no Museu da Ciência, concluída apenas alguns meses depois de sua morte.

Com entrevistas a pessoas que lhe eram próximas, incluindo o colaborador de longa data Patrik Schumacher, os arquite(c)tos Eva Jiricna e Nigel Coates, o urbanista Ricky Burdett, a editora-chefe da AJ, Christine Murray e o engenheiro Hanif Kara, o filme dá-nos uma ideia do impacto que Zaha teve sobre a profissão de arquite(c)tura e da inovação que nos deixou. Vale a pena ver.

O filme é produzido por Laura Mark e filmado por Jim Stephenson para o AJ, e é uma referência no retrato desta grande arquitecta.

Obrigatório espreitar o Atelier Zaha Hadid Architects em  http://www.zaha-hadid.com/

Heydar Aliyev Center, Baku, no Azerbaijão.

Zaha Hadid Architecs – Heydar Aliyev Center, Baku, Azerbaijão.

Enjoy.

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