Violência emocional sobre a mulher_ traços de psicopatia

Muito se fala atualmente da violência sobre a mulher, mas se por um lado a violência física é aparente (e mesmo assim tão camuflada), o que podemos dizer do abuso psicológico ou do bullying emocional, quando tantas mulheres pela sua educação, pela falta de informação e mesmo por tabu de uma admissão de culpa de subjugação, não se expõem e não tomam uma atitude num caminho de recuperação da sua autoestima?!

Este tema tão escondido e com repercussões gravíssimas no seio familiar, embora alvo de muitos estudos, continua a permanecer um literal buraco negro para a sociedade em geral.

Até ao presente não existe uma preocupação real na educação do(a)s jovens como parte integrante da sua formação e tomada de consciência dos sinais e perigos existentes numa relação abusiva. Há sinais claros que poderiam ser interpretados com mais facilidade se existisse uma vontade premente em lutar pela igualdade de género. Não sei se será injusto afirmar, mas parece por vezes, que os países do sul não têm qualquer interesse em alterar a dinâmica machista que se continua a perpetuar.

Autor desconhecido

Há dias, surgiu em conversa, a publicação de um estudo recente que conclui que cerca de 60% das adolescentes cometem automutilação. Ora, isto é demasiado grave para não ser escrutinado e discutido, e claro que para esta receita final contribuem fatores diversos, mas um deles é sem qualquer dúvida, a incapacidade de as jovens lutarem contra situações abusivas que danificam de forma permanente a sua autoestima e causam inúmeros problemas como episódios depressivos, pânico social e outras mais graves. A franja do género feminino que é alvo desta violência continua a sofrer em silêncio, não só por vergonha mas também por falta de compreensão/conhecimento alheio, porque infelizmente muitas atitudes de que são alvo são ainda vistas, como amor ou preocupação e não como controlo e uso de poder. É por isso que a educação tem um papel fundamental – alterar o paradigma – pois sem essa consciência, o efeito bola de neve não terminará sem o escalar do nível de agressividade e violência no género feminino.

Embora atualmente a mulher seja mais independente, segura e informada por iniciativa e por pressão de uma sociedade global que força a que esta se emancipe em todos os campos da sua vida, a violência emocional continua a ser uma realidade praticada pelo homem – também ele com falta de autoestima, normalmente fruto de uma educação machista e muitas vezes com traços de psicopatia – que podem ser tratados, se tal for encarado como um problema, se não for sacudido para baixo do tapete e se não for calado por vergonha.

A tomada de consciência de situações que denunciam abuso é fundamental, pois muitas vezes não as identificamos como tal.

Por isso, Mulher:

Se tens medo das consequências de alguém na rua olhar para ti, de ser mal tratada verbamente, de ser controlada na forma como te vestes, de ser insultada se não cedes à investida sexual, de ser rebaixada a papéis domésticos, de ser ameaçada porque não tiveste o comportamento desejado, de ter medo de atender o telefone e ser um colega, de ser desprezada porque tiveste uma reunião e voltaste mais tarde, de evitar almoços nos quais estejam colegas do sexo masculino e tantas, tantas outras coisas, é claro como água – é uma relação abusiva.

É também claro como água que este não é o sítio onde deves estar. Nunca.

 

 

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