Jason deCaires Taylor é um escultor e mergulhador profissional britânico, com formação pelo London Institute of Arts.
Percursor em esculturas aquáticas com o Molinere Underwater Sculpture Museum, as peças que realiza são à escala real e executadas através de moldes de pessoas/habitantes do local onde a instalação artística terá lugar.
O trabalho é produzido num cimento específico – cimento marinho – que tendo ph neutro, é mais resistente que o tradicional. A intenção, é que as obras se tornem a longo prazo, recifes de coral artificiais, e para isso, o artista e a sua equipa de trabalho, fixam estratos de corais às esculturas, promovendo a estimulação de novos parques.

A balsa de Lampedusa no Museo Atlántico, Lanzarote.
Taylor ficou mundialmente conhecido após o seu primeiro trabalho em 2009, em Cancun, México, comissionado pela cidade e intitulado de A Evolução Silenciosa, na qual se juntam quinhentas impressionantes estátuas.
Localizado na costa de Lanzarote, o Museo Atlántico é o primeiro museu subaquático da Europa, e pousado a quinze metros de profundidade do Oceano Atlântico, encontramos o magnífico trabalho de Taylor, que pode ser admirado não só por mergulho e snorkeling, mas também em barcos com fundo de vidro que servem os visitantes.
O museu, exibe trezentas esculturas de tamanho real em instalações distintas, que ilustram vários temas como, a crise dos refugiados, o aquecimento global e a dependência das redes sociais.

A Balsa de Lampedusa no Museo Atlántico, Lanzarote.
Através de uma expressão artística escultórica, aborda temas atuais e fraturantes.
Imortalizadas no oceano, as instalações do artista visionário, aliam inovação e manifesto de questões estruturais à abordagem conscientemente ecológica.
Duzentos anos depois da obra de Géricault – Le Radeau de la Méduse – que retrata o naufrágio da Fragata de Medusa, e sobre a qual se refere que o pintor ficou obcecado, Taylor retrata a tragédia dos refugiados no Mar Mediterrâneo.
Inspirado pela obra de Géricault, batiza a instalação de A Balsa de Lampedusa, uma das que compõem o acervo do Museo Atlántico.
Lampedusa é o nome da ilha italiana onde a grande maioria dos refugiados tenta chegar para conseguir asilo no continente europeu, e retrata as embarcações em condições deficientes, transportando por vezes, centenas de refugiados, vindos de África ou países como a Síria, Líbano ou Iraque, e que morreram durante a travessia.

Rubicon no Museo Atlántico, Lanzarote.
Taylor refere que a obra “não é um tributo ou memorial para as centenas de vidas perdidas, mas um lembrete veemente de nossa responsabilidade coletiva como uma comunidade global”.
Além de A Balsa de Lampedusa, o Museo Atlántico abriga outra instalação chamada Rubicon, que exibe um conjunto de trinta e cinco pessoas andando em direção a um mesmo ponto. A um mesmo fado.
Num olhar mais atento a cada uma das personagens/esculturas, compreende-se a relação doentia e obcecada do ser humano com a tecnologia. Homens e mulheres totalmente absorvidos por telemóveis e tablets, totalmente ausentes do que os rodeia.
Algumas delas de olhos fechados, expressão apática e uma cegueira, uma dormência latente, perante o mundo à sua volta.

Rubicon no Museo Atlántico, Lanzarote.
Inaugurado em 2016, podem explorar-se as instalações incríveis, numa oportunidade dupla de mergulho e visita cultural.
Mais informações no link do museu em http://www.cactlanzarote.com/en/cact/the-underwater-museum-lanzarote-museo-atlantico/
Quem for de férias para as Canárias, é mesmo de não perder.
Enjoy.