Atualmente, Rui Diogo é professor na Faculdade de Medicina da Universidade de Howard, em Washington, autor e coautor de mais de uma centena de artigos em revistas científicas e livros. Anteriormente professor assistente na University of Liege, e na George Washington University, Rui Diogo é membro da American Association of Anatomists, e os seus estudos debruçam-se sobre diversas áreas – desde a Anatomia Comparativa de Primatas à Filosofia, História e Preconceito da Ciência.
O investigador refere que a poligamia é natural no ser humano e a monogamia criada para a mulher, e através da ciência e da história, procura explicar a relação entre os géneros.
O especialista em Biologia Evolutiva e Antropologia defende que “se a monogamia fosse natural não tínhamos que fazer leis e matar pessoas por causa da poligamia. Não se fazem leis para dormir ou para beber. Mas matam-se pessoas por não serem monogâmicas”.

Personagens da série “Big Love” da HBO. Fotografia Justin Stephens
Segundo o investigador “não há fundamentos biológicos para a monogamia”, afirmando que na natureza não existe nenhuma espécie monogâmica. Nem mesmo algumas espécies de aves, por vezes apontadas como tal. Refere ainda, que as fêmeas dos chimpanzés, que se assemelham ao ser humano, se relacionam em média com oito machos por mês.
Nas palestras realizadas, Rui Diogo relatou que a poligamia é uma realidade quotidiana em todas as tribos da Amazónia e que este é dos vários factos considerados e que comprovam que sempre foi assim, no passado das espécies que se estudam.
Refere que os ossos evidenciam se os animais eram monogâmicos, baseando-se no dimorfismo – características físicas diferentes, como o homem ser mais alto do que a mulher.
Conclui ainda, que não há uma única espécie, na qual entre 8%/10% dos indivíduos não sejam homossexuais, havendo uma de morcegos que atinge 35% da população. Sendo esta, a mesma percentagem que também admite para o ser humano.
A partir duma perspetiva histórica e biológica, Rui Diogo, esclarece que a instituição do machismo e a diferença entre géneros fazem parte de um passado bastante recente da humanidade. Havendo estudos indicadores de que 90% da comida era providenciada pela mulher na era de caçadores/recoletores.
Adianta também, que foi com o surgimento da agricultura e das religiões que surgiu a imposição monogâmica – apenas para a mulher. Com “a agricultura surge o conceito de propriedade. Os meus animais, a minha colheita. E surge a herança. Eu tenho que ter a certeza absoluta de que o filho é meu. A partir da agricultura a mulher torna-se uma propriedade”.
Estas são, segundo o investigador, as duas causas que traçam o futuro subserviente para o sexo feminino. Até a aliança de casamento surgiu como símbolo de que a mulher tinha dono. Um símbolo de propriedade.
No entanto, considera que as “mulheres são mais resilientes, melhores alunas, superam melhor alterações do ambiente”, e segundo estudos realizados, são também mais promiscuas, ainda que não o pareçam, pois a admissão não é permitida pelas normas sociais. Pelas palavras do investigador, o homem só supera a mulher, no campo da visão tridimensional e da força física.
Afirma também, que “o sexo é natural, mas o género é construído” e no geral, os indivíduos são mais felizes na separação porque o casamento é uma instituição fabricada pelo homem. De resto, garante ainda que os estudos consolidam a ideia de que após cinco anos de casamento, a oxitocina (ligada à paixão) acaba, e que a testosterona (hormona masculina) aumenta.
“Fisiologicamente não há relação entre amor e sexo, pode-se amar alguém e desejar outra pessoa, e isso, pelo menos isso, aplica-se ao homem e à mulher”, conclui.
Enjoy. Ou não.
Fonte: Agência Lusa e Howard University