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Estudos científicos_O suicídio no século XXI

Em 2017, a agência de notícias Gaudium Press revelou que anualmente se suicidam trinta mil pessoas no Japão. Este foi o resultado de um estudo compreendido entre 1998 e 2010, que apontou para esta realidade, em cada ano de intervalo da pesquisa, taxa essa, que se mantém  regular até o presente.

O governo realizou um estudo no intuito de apurar as causas desta realidade, concluindo-se que cerca de 20% dos suicídios se devem a motivos económicos e 60% a motivos relacionados com a saúde física ou com depressão.

O bispo japonês Dom Isao Kikuchi num artigo divulgado pela agência AsiaNews, referiu que o drama se tornou mais visível a partir de 1998, “quando diversos bancos japoneses se declararam falidos, a economia do país entrou em recessão e o tradicional ‘sistema de emprego definitivo’ começou a colapsar”.

A partir desse ano e durante os doze anos seguintes, uma média superior a 30 mil pessoas por ano tirou a própria vida neste país rico, avançado e altamente tecnológico. O número alarmante, é cinco vezes maior que o de mortes provocadas anualmente por acidentes rodoviários no país.

Isao Kikuchi refere que o povo japonês, apesar de rodeado de riqueza material de todo tipo, tem sentido graves dificuldades em encontrar esperança no próprio futuro.

Dom Isao aponta a recente pesquisa do governo no apuramento das causas, e considera que as motivações para o suicídio são demasiado complexas para apontar-se uma causa geral com tanta objetividade. No entanto, considera razoável e verosímil afirmar que uma das razões deste fenómeno é a falta de sentido espiritual na vida quotidiana dos japoneses.

É senso comum que o isolamento, a solidão e o vazio estão entre as principais causas do desespero, que no extremo, levam a pôr fim à própria vida.

Anualmente, o suicídio provoca a perda de trinta e cinco milhões de anos de vida, em todo o mundo. A estimativa é do Global Burden of Disease, que calcula o impacto global das mais variadas causas de morte e é promovido pelo Institute for Health and Metrics Evaluation, uma instituição norte-americana financiada pela Fundação Bill e Melinda Gates.

Já na Europa, os dados foram apurados pelo Projeto OSPI-Europe – estratégia de prevenção do suicídio preconizada pela Aliança Europeia Contra a Depressão (EAAD), organizada em quatro níveis de intervenção.

No início desde ano, a Agência Lusa divulgou que segundo o documento deste projeto, estima-se que cerca de 20 milhões de europeus sofrem de depressão e que mais de 60 mil morrem anualmente por suicídio.

Em Portugal, as doenças mentais comuns afetam quase 23% dos portugueses adultos e a depressão afeta 7,9% dos adultos, sendo o suicídio uma complicação médica resultante destas perturbações mentais, em particular da depressão. Por ano, morrem cerca de duas mil pessoas por suicídio, sendo mais de mil registadas como suicídio e outras como mortes violentas indeterminadas, estimando-se ainda que mais de 75% destas sejam suicídios escondidos. Nos últimos quinze anos registou-se uma tendência para o aumento do suicídio no nosso país. Sendo que na Europa, Portugal para além de Malta, Islândia e Polónia, é o único a evidenciar aumento de mortes por suicídio. O Projeto OSPI-Europe, que terminou em 2013, revelou que a aplicação resultou numa diminuição da taxa de tentativa de suicídio.

É entre os homens que o suicídio é mais elevado – os dados internacionais dão conta de 15,6 óbitos do sexo masculino por 100 mil habitantes, enquanto no sexo feminino a média é de 7. Curiosamente, em Portugal o comportamento suicidário dos homens é três vezes superior ao das mulheres.

Ao contrário do que defendia Émile Durkheim, um dos grandes teóricos do suicídio no século XIX, os laços sociais não estão necessariamente mais protegidos em ambiente rural. A urbanização também terá contribuído para a diminuição do suicídio na China e na Índia. Além disso, costuma ser mais difícil aceder a meios letais em meio urbano. E também em Portugal a tendência global faz eco.

É certo, que a classe religiosa advoga que a abundância de riqueza material e acesso aos frutos de um desenvolvimento tecnológico extraordinário, são insuficientes para levar ao enriquecimento da alma, tendo-se focado num desenvolvimento material que relegou a espiritualidade e a religiosidade para um plano periférico da vida quotidiana e levando as pessoas ao isolamento, com significado existencial nulo ou insuficiente.

É também certo, que o isolamento, a doença mental, a solidão e o abandono, provocam sentimentos de tristeza e incapacidade, e não deixa de ser paradoxal que na era potencial em comunicação/relacionamento social e interação com conhecidos e desconhecidos, esses sentimentos ressaltem tão mais facilmente num invólucro de bolha de vazio que aumenta cada vez mais a incapacidade de socializar.

É necessário debruçarmo-nos sobre estes aspetos da atualidade, sobretudo nas faixas mais jovens e masculinas entre os 15 e os 29 anos, para que se encontrem estratégias e mecanismos de preservação do culto da comunicação presencial, da proximidade e do diálogo. E fundamentamente, para que estes temas sejam discutidos com  abertura e franqueza. A educação nestes temas tabu é deveras importante para um crescimento pleno e aberto e esta realidade, não pode nem deve, continuar a ser escamoteada pela sua dureza intrínseca.

* Informações retiradas da Agência Lusa, Gaudium Press e Visão.

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